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A lenda das esmeraldas

No século 17, há portanto mais de trezentos anos, dizia-se que no norte de Minas Gerais ficava uma serra muito alta ou Serra Resplandecente, assim chamada porque, quando o sol ao nascer se projetava sobre ela, a montanha começava a brilhar, cheia de cintilações verdes. Tal noticia chegou a São Paulo, à Bahia e a Portugal.

 


Os reis de Portugal, sempre ávidos de riquezas, prometeram mundos e fundos aqueles que descobrissem a tão falada serra. Lá sim, é que havia esmeraldas, ao alcance das mãos, como cascalho.

 


Muitos bandeirantes, desejosos de se tornarem nobres, resolveram sair à procura da Serra Resplandecente. Era claro que a descoberta ficaria pertencendo ao rei de Portugal, único dono de todas as minas existentes e por existir no Brasil. Mas o seu descobridor recebia um título de nobreza. Naquele tempo, ser fidalgo era ainda uma aspiração que enlouquecia a muitos brasileiros.

 


Quando Fernão Dias com sua bandeira chegou à lagoa Vupabuçu, que ficava no sopé dessa serra, perguntou a um índio mapaxó o motivo porque os selvagens impediam que os civilizados chegassem até lá. E o nativo respondeu:

 


 - A Uiara morava nas águas claras da lagoa Vapabuçu.

 


Seu canto seduzia os guerreiros indígenas. Nas noites de Cairê, a Uiara subia à flor das águas e se punha a cantar. Atraídos por sua voz, os guerreiros vinham para as margens da lagoa e a Uiara os puxava para o fundo, de onde eles não mais voltavam. Então, os índios mapaxós pediram a Macaxera, o deus da guerra, que salvasse tantos guerreiros. Macaxera fé a Uiara dormir e mandou que os mapaxós vigiassem o seu sono e a sua vida. Seus cabelos eram verdes do limo das águas que se encontra no fundo da lagoa. Esses cabelos, muito longos entravam pela terra e, como eram da água em contato com a terra viravam pedra.


E Macaxera recomendou:

- A vida da Uiara está em seus cabelos. Um fio de menos será um dia de vida que ela perderá. Arrancar as pedras verdes é acordar a Uiara, que poderá morrer. E se ela acordar ou morrer acontecerá uma grande desgraça.

 


Fernão Dias não acreditava em lendas nem em coisas do outro mundo. Por isso não levou a sério a ameaça do índio e mandou os seus homens arrancarem os cabelos verdes da Mãe d´Água. Como foram arrancadas poucas pedras – que eram seus cabelos – ela nem sequer chegou a acordar.

 


Pouco depois do bandeirante apropriar-se dessas pedras verdes, adoeceu de febre e, na viagem de regresso para São Paulo, morreu. Sua morte foi atribuída a Tupã, como castigo por ter tirado um pouco dos cabelos da Uiara. E o índio teria exclamado:

- O emboaba morreu, a Uiara viverá!

 

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